Autora: Lilia Moritz Schwarcz;
Introdução ao Livro: Sobre o Autoritarismo Brasileiro;
Introdução ao Livro: Sobre o Autoritarismo Brasileiro;
Editora: Companhia das Letras;
Ano de Publicação: 2019;
Ano de Publicação: 2019;
Quantidade de Parágrafos da Introdução: 49;
Veículo: Livro Impresso.
Veículo: Livro Impresso.
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| Capa do Livro, disponível em: https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14669 |
Introdução
A Introdução está presente em livros de diversos gêneros, mas também em trabalhos científicos e outras expressões comunicativas. Sua função é a de apresentar de forma objetiva e sucinta, quais serão os principais tópicos de abordagem abordados no texto, ao qual se é seguido, respeitando sua ordem. A depender do nível de detalhes e informações que o escritor queira passar, as introduções podem ser curtas ou mais extensas, porém é necessário que consigam dar conta do objetivo da introdução.
Síntese - História não é bula de remédio
Na introdução ao seu livro, Sobre o Autoritarismo Brasileiro, Lilia Moritz realiza um resgate da formação histórico-social do Brasil. Tal trabalho é realizado com o objetivo de compreender as raízes do autoritarismo no nosso país e os motivos, pelos quais, isso perdura até hoje. Assim, desde a colonização promovida pelo reino de Portugal, ao longo dos séculos XVI - XIX, com o uso de força desproporcional contra os indígenas e os africanos tornados escravos, até aos dias atuais, quando o Estado brasileiro garante, através da Polícia Militar, o amedrontamento da população das periferias (jovem, pobre e negra em sua maioria), o nosso passado, mas também nosso presente é manchado pelo sangue das minorias derramado pelos chamados poderosos.
A autora chama atenção à vários marcos históricos, que possibilitam o esclarecimento, dentre outras coisas, da nossa configuração desigual em diversos setores sociais. A história da educação brasileira, que, apenas em 1996 ganha corpus de direito e dever de todos os brasileiros, ou a exaltação naturalizada de um passado não tão glorioso, ajudam a compreender um dos porquês para que tantas pessoas 'caírem' sumariamente nas fakenews e/ou em discursos distorcidos e repercutidos por mídias duvidosas e/ou interessadas com um grupo político e econômico.
Negar os fatos da construção autoritária do Estado brasileiro, e principalmente os preconceitos perpetuados até os dias de hoje, acreditando sermos um país igualitário e acolhedor das minorias, gerou um prejuízo acumulativo que nos dias atuais explodiu. Explode a cada momento nas redes sociais com vídeos, imagens, mensagens de áudio, que apresentam falas preconceituosas e/ou misóginas. Dentro dos comentários à tais postagens verificam-se: problematização, linchamento virtual, o destaque para a atitude criminosa, o apoio à tais atitudes e/ou a ignorância de uma parcela negacionista da população.
O sociólogo Florestan Fernandes, já apontava para isso ao longo dos seus estudos, em especial no livro: Mudanças Sociais no Brasil (1960). Talvez a pior face desse padrão comportamental negacionista é a evocação da Ditadura Militar, como uma ferramenta prática para solucionar as crises, a crise econômica, que beneficia os bancos e instituições do capital financeiro, e a crise política-social, na qual "todo político é corrupto" e tudo que divergir da linha de pensamento neoliberal é comunismo.
A criação de mitos, frases prontas e notícias falsas e/ou manipuladas, funcionam como cortina de fumaça para a implantação de um Estado de austeridade fiscal, que beneficia os bancos e as grandes fortunas e onera a população trabalhadora e mais pobre. A cada tentativa de se seguir na contramão de tais reformas que, diminuem o número de garantias e direitos sociais, é ativado, pelo núcleo do governo a máquina do autoritarismo, que passa devagarinho sobre a constituição de 1988, aumentando sua intensidade em falas como: "podemos recorrer a um novo AI-5". Negar fatos do passado, é deveras prejudicial se quisermos um futuro de justiça econômica-política-social para todos.
Aqui segue um vídeo, no YouTube, de perguntas realizadas por internautas para a escritora do livro em questão, a Lilia Moritz Schwarcz.


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