O que faz o brasil, Brasil?

Autor: Roberto DaMatta 
Gênero: Capítulo de um estudo/livro antropológico
Livro: O que faz o brasil, Brasil?
Estado: Rio de Janeiro
Editora: Rocco; Edição: 1ª (6 de outubro de 1986)

Páginas: 128 páginas

Idioma: Português




Concentração de uma Bateria de Escola de Samba.


No primeiro capítulo do livro, o autor DaMatta fala da questão da identidade e começa mostrando a diferença entre dois “Brasis”, o com “b” minúsculo e o com “B” maiúsculo. O Brasil, assim escrito, representa uma nação com um conjunto de crenças, valores e ideais. Enquanto que brasil é um tipo de madeira presente no país que representa apenas uma coisa sem vida que pode ser explorada e por esse motivo não sobreviveria a muitas mudanças no sistema e que apesar de sua beleza natural estaria fadado à morte segundo teóricos do século XIX.

O Brasil muitas vezes é tratado como um Deus que é conhecido, porém tem seus mistérios, estando sempre onipresente e que precisa ser visto através de lentes mais amplas. O Brasil que temos nos livros oficialmente escritos nos apresenta apenas uma parte onde essencialmente os brasileiros são bem-comportados, mas o autor propõe uma leitura por inteiro analisando-se a população e suas particularidades. É neste momento que o autor faz a pergunta chave da discussão: “O que faz o brasil, Brasil? ”.

Ele correlaciona a pergunta e mostra a importância de descobrir a ligação e a dependência que existe entre os diversos “brasis”:
“Não queremos ver um Brasil pequeno e outro grande já feito. Não! Queremos, isto sim, descobrir como é que eles se ligam entre si; como é que cada um depende do outro, e como os dois formam uma realidade única que existe concretamente naquilo que chamamos de pátria”.

O autor inclui que existe um estilo de vida e um jeito único de existir que está em comunhão com ocupações universais como comer, trabalhar, estudar, reproduzir e dormir. A construção de uma identidade social é construída de afirmativas e negativas que se baseiam nas leis, família, religião, sexualidade, poder político, moral, alimentação, e prazeres em geral.

Sendo assim, o “brasileiro” é definido como amante do futebol, do carnaval, comida misturada, dos amigos, família e da religiosidade. Justificando que isto foi adquirido na própria sociedade brasileira. E ele finaliza o primeiro capítulo mostrando que o Brasil se constrói duplamente e não é apenas através de dados estatísticos, econômicos e educacionais, mas também através de costumes que perduram por anos.



Em termos negativos, dessas características e formações sociais surgiram também duas características repreensíveis do nosso comportamento. Uma delas, o pedantismo do famoso “você sabe com quem está falando? ”, próprio de quem quer tirar vantagem de acordo com seu nível social elevado, apelando em descumprimento da lei, com “pequenas” corrupções e os outros que lutem para conquistar seu espaço. Outro aspecto similar é o famoso “jeitinho brasileiro” onde tenta também adquirir vantagens em vários aspectos, através de conveniências pessoais, como ter vindo do mesmo lugar ou apreciar gostos em comum, flexibilizando as coisas em seu benefício.

No Brasil todos conhecem a “malandragem” que basicamente é uma ação contra a lei, regada de desonestidade com um jeito tipicamente brasileiro de cumprir ordens de forma egoísta conciliando com situações pessoais específicas. São atalhos, tipos de refúgios contra procedimentos de leis jurídicas que nunca são cumpridas, afetando negativamente a constituição e todos os brasileiros.

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