Os sussurros ouvidos na vida agitada da cidade, que se fazem presentes através das notícias policiais ou sensacionalistas, permite nos pensar um pouco mais sobre nossa realidade. Estamos em um curso, no qual a sociedade não se vê mais civilizada, e esbanja sua hipocrisia do dia-a-dia, agora também, nas redes sociais.
Quando escrevi sussurros queria apresentar o impacto dessas hipocrisias, sentidos diariamente na nossa sociedade, principalmente pelas mulheres.
Sussurros
Atacam meu sono de reforço,
De um Deus sério ou cômico,
São prantos de um povo indisposto.
São gritos apáticos de saudade,
Músicas contemporâneas,
Memórias e flâmulas,
De uma caótica cidade.
Tem o trem da violência,
O ônibus do descaso,
Os carros das imprudências,
E um helicóptero no alto.
Sobrevoa de forma distante,
Tomando conhecimento de sua posição,
Ele voa de forma constante,
Afastando-se da população.
O helicóptero esqueceu,
Que mesmo no alto patamar,
Ele é gente como eu,
E pode deixar de voar.
A queda do helicóptero autoritário,
É um marco na história,
Que divide o real do imaginário,
E apresenta a vida eufórica.
Mas, a realidade, ela não toca,
Canta todas as noites no bar,
Swinga energia eólica e solar,
Mas não dói, não nos choca.
Não choca pois tudo é impressionante,
O momento histórico,
É composto por cenários e figurantes,
Que são fluídos e despóticos.
Tudo passa, mas nada nos acontece,
O que você faria, mas não fez,
Quantas horas você perdeu em prece,
Para poder chegar a sua vez.
O que você não fez, mas surgiu,
Muitas rotações por minuto,
Fornecem a cena para um novo Brasil,
Um lugar onde tudo é enxuto.
Secaram várias fontes essenciais,
Menos aquelas mais banais,
As que fornecem laranjas e fricassê,
Chocolates de desvio e pavê.
O calor e irreverência,
Vão de encontro aos padrões,
Mas os porcos, alimentam suas desilusões,
Com o sabor farto da incoerência.
A santa de reverência em casa,
Fica no altar esperando a devoção,
A desviada lua da rua,
Fica nos escuros, desgostos, desaprovação.
O calor tropical,
Se mantém até o primeiro carnaval,
Depois se estabelece um frio,
Que não condiz com a correnteza do Rio.
Não faz sentido para mim,
Se amas tanto Angelina,
Por que chegastes a bater assim,
Nela, que culpa ela tem de ser feminina.
Os sussuros que ecoam no bairro,
São dos tiros que mataram Maria,
Da faca caída no assoalho,
Do tchau encarnado na morte da poesia.
Maria, rimada aqui com poesia, representa uma mulher em específico, que questionou os paradigmas violentos políticas adotadas, principalmente no Rio de Janeiro.
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| Charge de Carlos Latuff, 2018. A arte será mais forte nesses tempos. |

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